terça-feira, 27 de setembro de 2011

...nata, creme de leite e goiabada!

 Nós crescemos ouvindo que com esforço podemos alcançar tudo e uma coisa eu posso afirmar: isso é mentira. Todos temos nossas limitações, nossos medos. O menino de 12 anos com problemas de excesso de peso e asma foi ensinado que com esforço ele pode ser o que quiser, até um jogador de futebol famoso. Sabe o que acontece quando ele descobre que aquilo era uma mentira? Nossas limitações não são algo ruim, aliás muitas vezes é das limitações que surgem nossos maiores talentos: um garoto pode ser tímido, tem dificuldade de se expressar com seus amigos na escola porém dessa dificuldade de se expressar por palavras, ele aprende a pintar e se expressar de uma maneira diferente, ele pode se tornar um excelente pintor; não devemos ter vergonha nem esconder nossas dificuldades, todos as tem e é por isso que vivemos em sociedade e dependemos tanto uns dos outros.
 Agora o garoto que escutou sua vida inteira que poderia ser o que quisesse apenas com esforço tem sonhos, muitos dos quais ele não vai conseguir alcançar. Não porque ele não se esforçou o suficiente e sim porque não conseguimos atingir todos nossos objetivos. O que acontece quando essa pessoa percebe que seus sonhos não passavam de sonhos e que, não importa quanto ela se esforce, ela não conseguirá atingir tudo que sonhava? Depressão... suicídio nos casos mais extremos.
 Basicamente nós criamos as circunstâncias para essa situações com as melhores intenções e as piores mentiras. A verdade pode doer mas é menos cruel que a mentira.
 Sonhos podem ser saudáveis, podem nos incentivar, nos dar esperanças... mas em alguns casos é necessário que saibamos que sonhos não passam de sonhos. Se dessa vez não deu certo, vá até a próxima padaria, quem sabe eles estão frescos.
 ["Her dreams are dreams, all this living's so much harder than it seems." Dreams be Dreams, Jack Johnson]

sexta-feira, 22 de julho de 2011

 O ensino no Brasil está realmente defasado, principalmente quando em relação a escolas públicas. Eu frequentei o Colégio Estadual do Paraná que é, supostamente, o melhor colégio público do estado do Paraná e, de fato, grande parte do que aprendi lá não foi dentro da sala de aula. Porém, esse texto não tem como objetivo criticar o ensino escolar brasileiro e sim o ensino da escola da vida.
 Nos falta mesmo é o ensino da vida, o ensino de como viver em sociedade. Nós brasileiros simplismente não sabemos a importância de protestos, greves, manifestos e outros, principalmente em Curitiba. O que realmente nos falta é aquela noção que deveria ser nos dada através não só da parte materna/paterna, como através da própria sociedade em si. Temos preguiça de protestar, preferimos pensar que aquilo simplismente não funcionará e que, portanto, é melhor ficar em casa e ver um filme.
 Nos falta ímpeto e vontade para mudar, as mudanças não começam com melhoras nas escolas e sim com melhoras na nossa participação e força política, porque apartir dai somos capazes de conseguir com que melhorem as outras coisas. A história prova que o povo tem um enorme poder, porém nos preferimos criticar  os políticos do sofá de casa.
 Não somos um povo unido da maneira que deveriamos e essa falta de união tira todo nosso poder, nos deixa sujeitos a palavra de um pequeno grupo que escolhe por todos sem se quer levar nossas vontades em consideração, pois sabem que nada será feito a respeito.
 Acredito que esse seja um dos principais motivos do atual estacionamento da nossa qualidade de vida. O Brasil está entre os países com maior custo de vida e isso não é necessariamente ruim, o que é ruim é que normalmente os países com maior custo de vida costumam ter maior renda per capita, o que não acontece no nosso caso.
 Ainda por cima reclamamos quando há greve, insultamos os que fazem greve quando de fato eles é que estão certos. Enquanto nós cruzamos os braços e aceitamos a injustiça eles tentam lutar por uma melhoria, por algo a mais.
 We sit by the window and watch the whole world change wishing we would too, yet we don't move.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

...parece ser, é? parece!

 To extremamente ancioso para minha viagem e não consigo dormir então me desculpem se não tiver bem escrito ou confuso.

 Recentemente conversei com meus amigos sobre o que cada um pensava/via no outro alguns anos atrás, quando nos conhecemos e estudávamos juntos. É engraçado saber o que as pessoas pensavam de você, porque com o tempo crescemos, mudamos e como estamos mais longe, podemos olhar para quem éramos e realmente saber quais eram nossos defeitos/virtudes e apartir disso fazer comparações. Será que o que pensavam de você é realmente o que você era? Será que os defeitos que os outros viam em você eram realmente os defeitos que você tinha?
 A minha experiência foi que, curiosamente, todos me viam da mesma maneira e eu, olhando para trás agora e vendo quem eu era, lembrando dos meus medos, vergonhas e sentimentos em geral, pude perceber que o que eu realmente era não estava nem próximo do que os outros pensavam de mim. É incrível como podemos, involuntariamente, passar impressões totalmente diferentes do que somos/sentimos. A verdade é que palavras são delicadas, uma frase pode significar mais que milhões... especialmente quando ela é ruim. Alguém pode dizer 1823098 vezes "te amo", mas basta um "te odeio" para que a pessoa não se lembre deles.
 Voltando a minha experiência o que aconteceu foi que me disseram que eu me "achava" (tentava me fazer parecer melhor) por saber inglês, o que de fato não é verdade, o fato é que eu tinha muita vergonha de se quer falar inglês ou mencionar o fato de que eu falava fluentemente. Por mais que alguns desses meus amigos leiam isso e pensem: "não ele realmente se achava", a verdade é que por mais que pudesse parecer assim, não era o que de fato acontecia, eu aliás vejo o meu eu daquela época com muito mais defeitos e esse não é um deles...
 As vezes analisamos os outros tomando mais em conta nós mesmos do que a própria pessoa a ser analisada. As impressões que temos apartir destas conclusões as vezes são fortemente marcadas, de forma que tomamos aquilo como realidade, mesmo que tenha sido fruto de uma análise não muito fiel. Por isso sempre tentei falar o mínimo possível dos outros, pois os mesmos defeitos que você vê neles, eles podem ver em você. Aparências são mesmo traiçoeiras, o melhor a se fazer é observar e tentar não parecer igual, mas a verdade é que sempre vão encontrar algum defeito, por mais que aquele não seja um defeito realmente seu. Ninguém é perfeito, ao menos não aos olhos de todos.
 O que pensamos dos outros e o que os outros pensam de nós é, de fato, um mistério. Por mais evidente que possa parecer, a verdade pode ser exatamente o oposto, isso é o que torna a psicologia tão intrigante...
 As pessoas que aparentam ser as mais fortes podem ser as mais fracas e vice-versa. Nem tudo é o que parece, nem tudo parece o que é...

sábado, 2 de julho de 2011

doorgas e felicidade!

 Basicamente, tudo o que o ser humano faz tem como base a busca pela felicidade/sobrevivência. Estamos numa rotina eterna em busca da felicidade e sequer sabemos o que ela é, o que ela significa e qual a consequência dessa busca.
 O felicidade é a droga mais potente. Você já percebeu que momentos de felicidade tendem a ser extremamente passageiros e que logo em seguida vem aquela vontade de mais uma dose? A tristeza em si nada mais é do que a resposta do nosso organismo quando está em falta dessa droga para que assim procuremos por mais e mais, entrando em um ciclo sem fim. Felicidade e alegria são opostos porém dependem um do outro. Somos feitos de contrastes, não existe o bonito sem o feio, o bom sem o ruim.
 Muitos não conseguem perceber esse contraste, fogem do que as deixa triste sendo que muitas vezes isso é o que mais as pode fazer feliz. Na verdade o segredo para todos os relacionamentos (de todos os tipos) reside na relação entre esse contraste.
 No final das contas, entender a felicidade é saber que, para que possa existir a saciedade, tem que existir a fome. A fome nada mais é do que um sentimento específico de tristeza e a saciedade um sentimento específico de alegria. Sabemos institivamente que, quando sentimos fome, temos que comer. Sabemos institivamente que, quando estamos triste, temos que buscar por algo que traga alegria.

Believing that the dots will connect down the road will give you the confidence to follow your heart even when it leads you off the well-worn path [Steve Jobs].

quinta-feira, 26 de maio de 2011

mudar, mutar - evoluir

 Eu acredito que a coisa mais interessante no ser humano seja a capacidade de mudar. Adaptar-se a inúmeras situações, aprender com os erros não apenas de forma física. Mesmo assim alguns ainda resistem às mudanças e preferem continuar com sua mediocridade.
 Mudar não é fácil, requer gastos de energia enormes, as vezes momentos péssimos são necessários para uma boa mudança. Porém, essas mudanças nos moldam dia após dia, de forma a tornar-nos quem nós sómos hoje e quem nós seremos amanhã - não deixando de ser o que fomos hoje, porém sendo algo a mais. Essas mudanças não são para melhor ou pior, são para tornar-nos mais resistentes, mais "fortes" perante a sociedade. Parar para pensar como eramos um ou dois anos atrás já nos faz perceber o quão relevantes são essas mudanças.
 Muitas destas mudanças são também imperceptíveis no momento da mudança, nós só as percebemos quando olhamos para trás com uma visão mais geral de como eramos. O grande motivo de muitas dessas mudanças não serem perceptíveis é que, mudamos todo dia, porém lentamente... esse processo é gradual, assim como o crescimento em altura, o que o torna mais sutil e o torna genial, pois muitas dessas mudanças ocorrem sem que nós possamos perceber, de forma que algumas mudanças são quase que involuntárias.
 You can not connect the dots looking forwards, you can only connect the dots looking backwards [Steve Jobs]

terça-feira, 3 de maio de 2011

maldita sociedade;

 O capitalismo no qual vivemos hoje em dia é tão justo! 5% tem tudo e 95% não tem nada; ainda temos a capacidade de dizer que os 95% que não tem nada tiveram chances e não as aproveitaram. Se assim fosse, caso os 95% tivessem aproveitado suas chances, isso significaria que todos teriam tudo! Não me parece viável numa sociedade onde os que fazem tarefas, como limpar o lixo dos outros, as fazem por não ter formação suficiente para outra tarefa "mais complexa". Quem foi que estabeleceu que merece mais quem ficou o dia todo dentro de sua piscina, enquanto seus funcionários trabalhavam para ganhar o suficiente para sobreviver? Funcionários esses explorados constantemente, mas não porque tiveram chances e não as aproveitaram e sim porque essa é a base do capitalismo, apenas alguns tem chance de pisar sobre os outros para chegar ao topo.
 Para que possamos ter uma vida financeira razoável, não basta apenas um diploma, é necessário um diploma na área "certa". Mal podemos escolher o que gostamos, temos que escolher o que mais nos interessa dentro de um leque de cursos que nos dê opções futuras de empregos decentes. A consequência disso é que temos inúmeros profissionais insatisfeitos, que fazem o que fazem apenas pelo dinheiro, fazendo com que esses não tenham interesse em melhorar - profissionais ruins -... comum não? Quantas vezes não nos deparamos com pessoas completamente insatisfeitas com o que fazem?
 Todos querem fazer algo que gostam, mas nem todos se arriscam nessa jornada; muitas vezes o dinheiro é mais confortante.
Ser ou viver, eis a questão.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

involutivos e autodestrutivos;

 Criticamos sem antes nos criticar, julgamos sem antes nos julgar, condenamos antes de nos condenar.
 Fofocar - a arte de falar mal daqueles que não estão presentes, sem antes pensar sobre essas críticas. Críticas construtivas? Não, são apenas comentários desnecessários sobre coisas fúteis para que possamos diminuir o outro e, dessa forma, nos sentir "maiores" e melhores diante de um grupo de amigos(as).
 Muitas vezes fofocamos com amigos(as) sobre como o outro se veste, como ele anda, como ele fala, como ele come. Mas o engraçado mesmo é que, muitas vezes, as pessoas que agem dessa forma, tem os mesmos defeitos os quais ele(a) critica no outro de forma indiscriminada... será que somos tão cegos, a ponto de não perceber quão estúpidos podemos ser? Cada um se veste como quer, anda como quer, fala como quer e come como quer; mas é difícil tentar ser mais construtivo e menos fútil, é difícil ver seus próprios defeitos e conversar sobre eles com os outros, de forma evolutiva, buscando melhoras. Preferimos "piorar o outro" do que melhorar.
 Mudando levemente de assunto, acho engraçado como, hoje em dia, "ficar" com alguém foi banalizado, tornou-se algo totalmente insignificante. As pessoas vão à festas com a intenção de ficar com o máximo possível de pessoas e acabam sem realmente ficar com ninguém (visto que passam o mínimo possível de tempo com cada pessoa para poder seguir para a próxima e, consequentemente, ter mais tempo para tal). Por mais temporário e passageiro que ficar possa ser, é para ser algo bom, divertido... é divertido beijar uma pessoa e sair em busca da "próxima vítima"? Ou isso apenas demonstra, novamente, a necessidade de provar-se melhor que outros? Porque o que os outros pensam sobre nós é mais importante do que o que pensamos de nós mesmos?
 Segundo o evolucionismo darwiniano, não existe involução, pois ela é biologicamente ilógica. Porém nós, seres humanos, tornamos a involução algo real... nos tornamos cada vez mais egoístas, porém dependentes da imagem que a sociedade tem de nós. Cada vez mais fúteis e inseguros. Essencialmente contraditórios.
You come from nothing, you're going back to nothing. You are already naked, why dont you party?